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Apostas esportivas já impactam a saúde corporativa
Unifesp: 10,9 milhões já geram problemas emocionais, familiares ou profissionais
De acordo com a Vidalink, cada vez mais empresas identificam impactos negativos relacionados ao uso frequente de plataformas de bets, com reflexos que vão do aumento do estresse financeiro à queda de produtividade e adoecimento mental.
Segundo levantamento da Unifesp, 10,9 milhões de brasileiros já jogam de forma a gerar problemas emocionais, familiares ou profissionais. Em 1,4 milhão de casos, o padrão de comportamento já configura transtorno do jogo, condição reconhecida pela OMS, semelhante à dependência de álcool e drogas.
“A diferença entre o uso recreativo e o transtorno está no prejuízo funcional que a atividade causa”, explica a psiquiatra Camila Magalhães, cofundadora da Caliandra Saúde Mental. “Quando a pessoa prioriza as apostas em detrimento do trabalho, do convívio social ou persiste no jogo mesmo após perdas graves, temos um alerta vermelho.”
De acordo com a CID-11, o transtorno do jogo caracteriza-se por um padrão persistente de comportamento que envolve: Perda de controle (dificuldade em limitar tempo, frequência ou valor das apostas), priorização das apostas (preferência contínua por jogos em vez de trabalho, estudo ou convívio social) e persistência diante de prejuízos (manutenção do comportamento mesmo após consequências financeiras, profissionais ou emocionais graves).
Comorbidades como ansiedade, depressão e TDAH costumam agravar o quadro.
“Essas condições aumentam a complexidade do tratamento, exigindo avaliação clínica abrangente e plano terapêutico interdisciplinar (psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional e rede de apoio familiar)”, acrescenta.
pesquisa realizada em 2024 com 405 gestores e profissionais de RH de empresas com mais de 100 funcionários, conduzida pelo instituto Opinion Box, em parceria com a Creditas Benefícios e a Wellz, trouxe à tona uma crescente preocupação sobre o impacto das apostas esportivas no ambiente corporativo. O levantamento revelou que 53% dos profissionais de RH afirmaram que colaboradores já enfrentam dificuldades financeiras devido às apostas, enquanto 56% dos respondentes acreditam que muitas pessoas as consideram uma forma legítima de investimento.
O estudo também destacou que metade dos entrevistados percebeu a intenção dos funcionários de usar o 13º salário e as férias para apostar, e 47% notaram um aumento no envolvimento com as bets entre os colaboradores. O mesmo percentual afirmou que os funcionários estão cientes dos riscos envolvidos nas apostas.
Entre os impactos mais notados, a dependência de jogos se manifesta no ambiente de trabalho por meio de faltas frequentes, distração excessiva, queda de rendimento, atrasos, dificuldade de concentração e conflitos interpessoais.
Além disso, colaboradores que enfrentam esse tipo de compulsão também tendem a apresentar maior vulnerabilidade ao estresse crônico e ao adoecimento psíquico. Um estudo recente do Intercept Brasil aponta que as casas de apostas virtuais foram responsáveis por um aumento superior a 2.300% nos pedidos de auxílio-doença por ludopatia no país, entre junho de 2023 e abril de 2025.
Mulheres já são 47% do público – Mulheres já representam 47% do público que aposta em esportes no Brasil, segundo levantamento do Instituto Locomotiva em parceria com a Fulltrader Sports. O dado mostra que a participação feminina não apenas cresceu, mas em alguns nichos já ultrapassa a masculina, mudando o perfil de consumo e exigindo novas estratégias de comunicação das plataformas.
Para Ricardo Santos, cientista de dados e fundador da Fulltrader Sports, a entrada das mulheres transforma a dinâmica do setor.
“O público feminino tem um padrão de decisão mais racional e estratégico, o que influencia inclusive os algoritmos de recomendação. São perfis menos impulsivos e mais conectados com dados de performance”, afirma.
O movimento acompanha uma tendência mais ampla de diversificação. Se antes o mercado era dominado por homens jovens, hoje cresce a presença de diferentes faixas etárias e classes sociais. Esse fenômeno foi impulsionado pela regulamentação do setor, pela ampliação de campanhas de marketing e pela oferta de conteúdos educativos que atraíram perfis antes distantes do universo das apostas.
O aumento da base feminina ocorre em paralelo ao avanço das apostas online no Brasil, que movimentaram R$ 150 bilhões em 2023, segundo estimativas do setor. A perspectiva é que, com a regulamentação em vigor, o volume supere R$ 100 bilhões em 2025, ampliando a arrecadação de impostos e a segurança jurídica para os consumidores.
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