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Novo selo eleva custo de produção em até 10%
Toda a indústria nacional e grande parte das estrangeiras que exportam para o Brasil já se adequaram
Fabricantes de aparelhos eletrodomésticos de pequeno e médio porte tiveram aumento de custos de até 10% para se adequar às normas internacionais de segurança que entraram em vigor este mês no país. Agora, mais de 350 produtos, incluindo liquidificadores, batedeiras, ventiladores e secadores de cabelo, que antes possuíam certificação voluntária, sairão obrigatoriamente da fábrica com selo do Inmetro, acreditado por oito laboratórios.
Toda a indústria nacional e grande parte das estrangeiras que exportam para o Brasil já se adequaram, segundo Gustavo Kuster, gerente da divisão de programas de avaliação da conformidade do Inmetro. O objetivo das normas é evitar que os clientes tenham problemas como levar choques, se cortar em arestas ou se queimar. Os produtos com o novo selo de segurança devem chegar ao mercado em setembro. O repasse da alta de custos ao preço final ainda está sendo definido pela indústria, numa estratégia que varia de acordo com a marca e o tipo de produto.
Os fabricantes poderão vender estoques antigos até 1º de julho de 2012 e o comércio tem até 1º de janeiro de 2013 para oferecer apenas produtos dentro do padrão. A indústria participou das discussões desde o início e teve dois anos para se adaptar. Além de gastos com laboratório de testes, cada empresa fez ajustes na produção.
A fabricante Mallory considerou a transição tranquila. A adequação dos ventiladores, no entanto, foi mais complexa. Para esse item, o aumento de custos foi entre 5% e 10%, dependendo do modelo. Segundo o diretor de produtos da Mallory, Luis Sancho, "milagres não existem", e os gastos serão sentidos pelo consumidor. "Temos que repassar de alguma forma, mas provavelmente não será tudo, é complicado." Ele afirmou que em outros itens da marca praticamente não houve alta nos custos.
A Mondial precisou fazer pequenos ajustes nos equipamentos. De acordo com Giovanni Cardoso, diretor comercial da companhia, houve um aumento de 3% no custo dos produtos, sendo 2% em matéria-prima e o restante com o processo de certificação. Mas Cardoso garante que não haverá repasse aos preços. "[O aumento] Já foi absorvido pela fábrica", diz. Os gastos com a certificação representaram inicialmente 0,6% do faturamento anual da Mondial e a previsão é que nos próximos anos esse valor caia pela metade.
"Os próprios fabricantes reclamavam da necessidade de certificação", afirma o gerente do departamento de tecnologia da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Fabian Yaksic. "A indústria queria ter certeza de que havia produtos de qualidade no mercado".
Além de testar os aparelhos, os certificadores verificam o processo industrial no Brasil e no exterior, no caso das estrangeiras que vendem no mercado nacional. Os técnicos da Bureau Veritas, um dos laboratórios autorizados pelo Inmetro, viajaram para China, Coreia, Tailândia, Itália, Suíça, México, Estados Unidos e Argentina, para visitar fábricas. "Ao todo, o processo leva de seis meses a três anos e pode custar à empresa entre R$ 20 mil e R$ 35 mil, dependendo do tipo de produto", diz Walter Laudísio, diretor comercial de certificação do laboratório.
Segundo Laudísio, 70% dos produtos que devem seguir as novas normas hoje são importados e 50% deles vêm da China. Ele acredita que a indústria brasileira poderá, a partir de agora, se desenvolver mais porque o padrão será o mesmo. "Apesar do custo da certificação, não acredito em alta de preços, porque é um mercado muito competitivo", diz. (Colaborou Paola de Moura, do Rio)
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