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Caderneta é líder junto com ações
Chama a atenção também a pouca atenção dada à previdência privada.
A caderneta segue líder na preferência dos investidores. Isso ocorre mesmo entre os aplicadores mais ativos, que buscam informações, como os participantes da Expo Money, evento anual que reúne especialistas e instituições de mercado. Pesquisa feita com os 4.161 já inscritos para o evento em São Paulo, que ocorre entre os dias 23 e 25 deste mês, mostra que 52% investem em poupança, enquanto a compra de ações direta fica com 36% - outros 5% disseram investir em clubes.
Os fundos de renda fixa e CDBs aparecem atrás, com 32%, mas ganham dos fundos de ações, com 21%, e dos imóveis, com apenas 9%. Os fundos hedge também atraem apenas a minoria, 5%.
A preferência pela poupança é justificada pela mais competitividade de esse tipo de aplicação após a queda dos juros, diz Robert Dannenberg, presidente da TradeNetwork, organizadora da Expo Money. "Hoje, com a isenção de imposto, a caderneta está rendendo quase como um CDB ou um fundo de renda fixa, que paga taxa de administração", lembra. Por isso, tanto conservadores quanto arrojados aplicam parte dos recursos na caderneta.
A pesquisa mostrou também a forte influência dos bancos, pois 52% dos inscritos disseram aplicar nos produtos das instituições onde têm conta. As corretoras têm 40%, o que é coerente com o público do evento, já que boa parte investe em ações. O número, segundo Dannenberg, também é positivo. "Quando começamos, 89% diziam aplicam apenas nos bancos", lembra. Ele explica também que alguns compram ações na corretora do próprio banco, o que reduziria a dependência dos gerentes de conta.
Chama a atenção também a pouca atenção dada à previdência privada. Dos consultados, apenas 29% disseram possuir um plano, enquanto 16% ignoram e 13% dizem que não farão. O número é preocupante quando se leva em conta a idade do público no evento. A maioria é jovem, 62%, e tem até 34 anos.
Dannenberg explica que uma parte dos que dizem que não querem aplicar em previdência admitem, porém, que fazem uma poupança para o futuro. "Muitos têm carteiras de ações de dividendos", diz. Há ainda aqueles que não confiam nos planos, alegando que "não conhecem ninguém que já esteja recebendo o que aplicou."
Apesar da pouca idade, a maioria dos investidores se diz conservadora, com 25%, ou moderada, com 22%. Os arrojados são apenas 10%, enquanto os atuantes são 22%. Chama a atenção ainda que 21% dos entrevistados diz não possuir um perfil. Para Dannenberg, há aplicadores que alegam ser conservadoras, mas têm carteiras de ações, o que seria um perfil arrojado ou atuante. "A pessoa às vezes não se vê dentro daquele perfil", diz.
A pesquisa mostra a forte presença das mulheres, 35% do total já inscrito neste ano. No ano passado, esse número estava mais perto de 30%. De olho nesse público, será criado o Money Mulher, que organizará palestras e atividades para o público feminino. "Esse crescimento é bom, pois as mulheres trazem uma visão de mais longo prazo para o mercado", diz.
Dannenberg espera neste ano um público de 20 mil pessoas na edição paulistana, quase 20% mais que os 17 mil do ano passado. Em 2009, houve uma queda no total de participantes da Expo Money nos eventos realizados em 12 cidades pelo Brasil: 47,9 mil, para 54,2 mil de 2008. O executivo espera ainda um público mais qualificado, devido ao trabalho realizado pelas corretoras e pela bolsa para educar o investidor. O crescimento da economia, a melhora de renda e os processos de fusões e aquisições de empresas ajudam a criar também mais investidores, que procuram opções para o investimento em renda fixa.
Outra novidade no mercado brasileiro será a chegada dos Brazilian Depositary Receipts (BDRs, recibos de ações) não patrocinados de empresas americanas, como Google.
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