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Produção se recupera mais rapidamente do que o emprego
A produção industrial está mais adiantada do que o emprego para voltar ao nível pré-crise de setembro de 2008.
A produção industrial está mais adiantada do que o emprego para voltar ao nível pré-crise de setembro de 2008. Uma análise feita pela LCA Consultores mostra que, em fevereiro deste ano, a produção industrial medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), descontados os efeitos sazonais, estava 3,2% abaixo da de setembro de 2008. Já o emprego estava 4,5% aquém de setembro de 2008.
Há duas interpretações para esse resultado. Braulio Borges, economista chefe da LCA Consultores, diz que, com a crise, as empresas aproveitaram para demitir os trabalhadores com melhores salários. Com isso, obtiveram ganhos de produtividade. Isso explicaria o avanço da produção industrial a um ritmo superior ao do emprego, que está crescendo em ritmo mais lento. Borges destaca que as novas contratações estão sendo feitas por salários menores.
Já na análise de Luiza Rodrigues, economista do banco Santander, o emprego está crescendo em ritmo menor do que o da produção industrial porque muitos empresários, diante do alto custo das demissões, optaram por segurar parte dos funcionários na época em que a crise ocorreu.
Ela lembra que os empresários deram férias coletivas aos funcionários, licença remunerada e, em muitos setores, houve até suspensão temporária dos contratos de trabalho negociada com os sindicatos. "Por isso que o emprego hoje está crescendo num ritmo inferior ao da produção."
Para este ano, Luiza prevê que a produção industrial aumente 9,5% na comparação com 2009, depois de ter caído 7,5% em relação ao ano anterior. Para o emprego industrial, ela projeta crescimento de 2% este ano em relação a 2009. No ano passado, o emprego na indústria recuou 5,6% na comparação com 2008.
Nas contas de Luiza, o total de trabalhadores ocupados na indústria em fevereiro deve ter chegado a 13,1 milhões de pessoas. Em setembro de 2008, a indústria tinha 14,06 milhões de trabalhadores. Para voltar ao patamar pré-crise, a indústria brasileira terá de contratar cerca de 900 mil trabalhadores nos próximos meses.
Disparidade. Apesar de faltar relativamente pouco para voltar o nível de ocupação de setembro de 2008, Borges observa que o comportamento da retomada do emprego entre os diferentes segmentos é muito heterogêneo. "Setores menos dependentes do crédito e da confiança do consumidor preservaram mais os empregos na crise e estão melhores hoje", afirma o economista. Como exemplo, ele cita a indústria de alimentos, cujo nível de emprego em fevereiro deste ano estava só 0,7% abaixo do de setembro de 2008.
Também os setores menos ligados às exportações, vinculados ao mercado interno e que contaram com redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) conseguiram passar mais ilesos à crise.
Já os dependentes das exportações, observa Borges, estão entre os mais afetados.
O economista destaca como exemplo negativo segmentos que enfrentam a concorrência dos importados. Vestuário e calçados, por exemplo, estavam em fevereiro com nível de emprego abaixo do patamar de setembro de 2008, com recuo de 8,4% e 5,5%, respectivamente.
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