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Depois de 9 altas seguidas, dólar volta a cair
Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Índice Bovespa (Ibovespa) teve alta forte, de 1,79% (a segunda maior do ano)
Depois de nove dias de alta, em que acumulou valorização de 6,68% — tendo saído de R$ 1,767 para R$ 1,885 —, o dólar voltou a cair ontem, 0,32%, para R$ 1,861. Segundo analistas, parte da pressão de janeiro foi reduzida com o fim do mês e com o governo mapeando as operações nos mercados de derivativos. Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o Índice Bovespa (Ibovespa) teve alta forte, de 1,79% (a segunda maior do ano), e voltou a pontuar acima dos 66 mil pontos, 66.571, mais precisamente.
O gerente de Câmbio da NGO Corretora, Sidnei Nehme, explica que, com o fim do mês, acabou a briga entre os que apostavam na alta e os que projetavam queda da moeda nos contratos com vencimento em fevereiro negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Além disso, diz, o governo lançou recentemente duas medidas para forçar o registro de operações consideradas exóticas envolvendo o mercado de câmbio, parecidas com as que provocaram perdas enormes a Sadia e Aracruz em 2008.
As operações de agora — as de 2008 eram registradas no exterior e desconhecidas das autoridades reguladoras brasileiras (Comissão de Valores Mobiliários, a CVM, e o Banco Central, BC) — funcionam como se as empresas obtivessem um empréstimo com dois indexadores ao mesmo tempo: o CDI, que acompanha a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 8,75% ao ano, e o dólar. Caso a cotação passe de um determinado patamar, a dívida passa a ser totalmente na moeda. Se o dólar ficar abaixo da cotação estipulada, a empresa continua pagando sua dívida pelo outro índice.
A especulação é de que este “ponto de virada” seja R$ 2. Como a moeda subiu muito nos últimos dias e se aproximou desse nível, o receio no mercado aumentou. Para tentar se proteger dos efeitos da alta, a empresas, por sua vez, passaram a comprar a moeda nos mercados à vista e futuro, o que acabou elevando ainda mais a pressão sobre o câmbio.
Ontem, o Departamento do Comércio americano divulgou que, em dezembro, a renda no país cresceu 0,4% em dezembro e os gastos pessoais subiram 0,2%. Embora sejam dados positivos, mostram que os americanos estão poupando mais do que consumindo, o que pode indicar uma demora na retomada. Os dados animaram o mercado e, em Nova York, o índice Dow Jones subiu 1,17% e o eletrônico Nasdaq, 1,11%.
BB ficou entre as maiores altas da Bolsa
No Brasil, as ações do Banco do Brasil (BB) figuraram entre as maiores altas, ao subir 6,76%. Por meio de fato relevante, a instituição informou que terá um impacto positivo de R$ 1,6 bilhão em seu lucro de 2009 por causa de cálculos atuariais da Previ (fundo de pensão dos funcionários). O resultado de 2009 do BB será divulgado apenas no fim de fevereiro.
O mercado continua esperando inflação cada vez maior este ano e, pela segunda semana seguida, piorou as projeções para o IPCA. Ainda assim, não mudou suas projeções para a Selic mesmo depois de o Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada, ter dado indicações de que pode aumentar os juros básicos mais cedo, já em março. Pela pesquisa Focus, do BC, divulgada ontem, os economistas veem o IPCA a 4,62% em 2010, acima dos 4,60% da semana anterior e do centro da meta do governo, de 4,50%.
Para 2011, a projeção está em 4,50%.
Para a Selic, os economistas consultados pelo BC continuam calculando que ela encerrará o ano a 11,25%. Hoje, ela está em 8,75% anuais, nível que vem sendo mantido desde julho passado. A alta começaria em abril, segundo a expectativa média, mas já há quem aposte numa retomada antes, em março, na reunião do Copom.
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou em janeiro, atingindo o maior patamar desde fevereiro de 2003, refletindo pressões típicas do início do ano e o reajuste de tarifas de ônibus em São Paulo. O indicador da Fundação Getulio Vargas teve alta de 1,29% em janeiro, contra avanço de 0,24% em dezembro.
Na terceira prévia de janeiro, o IPC-S subiu 1,10%.
Os preços de alimentação subiram 1,57% em janeiro, bem acima da alta de 0,20% em dezembro, mas já desacelerando ante a terceira leitura do mês passado, de 1,65%. Os custos de educação, leitura e recreação saltaram 3,09% no mês passado.
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