Contribuintes que fecharam o ajuste anual com saldo devedor podem dividir o valor em até oito vezes; especialistas explicam o impacto dos juros Selic
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Juros de empréstimos caíram mais do que a Selic, indica pesquisa
As taxas de juros cobradas nos empréstimos apresentam queda maior do que a da Selic
As taxas de juros cobradas nos empréstimos apresentam queda maior do que a da Selic, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
No intervalo de dezembro de 2008 a setembro de 2009, houve uma redução de 5 pontos percentuais na taxa básica de juros, a Selic. Ou seja, taxa básica passou de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano.
Segundo a Anefac, em igual período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 12,44 pontos percentuais, ao passar de 137,91% ao ano, em dezembro de 2008, para 125,47% ao ano, em setembro de 2009.
Nas operações de crédito para as empresas (pessoas jurídicas) houve uma redução de 8,61 pontos percentuais, de 66,69% ao ano, em dezembro de 2008, para 58,08% ao ano em setembro de 2009.
“Essas reduções podem ser atribuídas à melhora no cenário econômico e à maior competição no sistema financeiro”, destaca o coordenador da pesquisa e vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, em nota.
A expectativa da associação é que daqui para a frente os consumidores deverão contar com reduções dos juros das operações de crédito em patamares superiores às quedas da taxa básica de juros ou reduções das taxas em momentos de Selic inalterada.
"Essa é uma situação nova", diz a instituição em nota, uma vez que “durante muito tempo, consumidores conviveram com reduções das taxas de juros em patamares inferiores às quedas ocorridas na Selic (em vários momentos inclusive houveram quedas da Selic e aumento dos juros ao consumidor)”.
Segundo a Anefac, há vários motivos para explicar essa mudança. Um deles é que, com a Selic em baixa, os bancos ficam desestimulados em aplicar em títulos públicos e optam por emprestar recursos. Outros fatores são a maior competição no sistema financeiro, a redução do risco de inadimplência, a possível criação do Cadastro Positivo e o “ainda baixo volume de crédito” no país.
A associação cita ainda o fato de as taxas de juros se encontrarem em patamares elevados, o que permite mais reduções. Também deve ser levado em conta, segundo a Anefac, a pressão do governo nos bancos para que haja redução do spread (diferença entre taxa de captação dos recursos e a cobrada na hora de conceder empréstimos) e o possível aumento do crédito nas instituições privadas, uma vez que perderam espaço para as públicas no período da crise econômica.
Em setembro, a taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma redução de 0,07 ponto percentual no mês (1,78 ponto percentual no ano) e chegou a 7,01% ao mês (125,47% ao ano). Essa é a taxa de juros média da série histórica.
Para as empresas, também houve redução das taxas. A queda foi de 0,09 ponto percentual, para 3,89% ao mês (58,08% ao ano) em setembro. Essa é a menor taxa de juros média desde março de 2001.
Confira as taxas da pesquisa da Anefac:
Pessoa física:
|
Linha de Crédito |
Taxa ao mês |
Taxa ao ao mês |
Variação em pontos percentuais |
|
Juros no comércio |
5,99% |
5,94% |
-0,05 |
|
Cartão de crédito |
10,68% |
10,68% |
0 |
|
Cheque especial |
7,38% |
7,34% |
-0,04 |
|
CDC-bancos |
2,65% |
2,60% |
-0,05 |
|
Empréstimo pessoal-bancos |
5,15% |
5,02% |
-0,13 |
|
Empréstimo pessoal-financeiras |
10,62% |
10,48% |
-0,14 |
|
Taxa média |
7,08% |
7,01% |
-0,07 |
Pessoa jurídica:
| Linha de crédito | Taxa ao mês Agosto/2009 |
Taxa ao mês Setembro/2009 |
Variação em pontos percentuais |
| Capital de giro | 3,56% | 3,49% | -0,07 |
| Desconto de duplicatas | 3,45% | 3,39% | -0,06 |
| Desconto de cheque | 3,51% | 3,44% | -0,07 |
| Conta garantida | 5,38% | 5,24% | -0,14 |
| Taxa média | 3,98% | 3,89% | -0,09 |
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