PGFN assume a dívida ativa do FGTS e aumenta tanto as oportunidades de negociação quanto os riscos para empresas inadimplentes. Revisão preventiva dos débitos será essencial
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Inadimplência de empresas dispara
Com a crise financeira, mais empresas não têm conseguido manter o pagamento dos empréstimos em dia.
Fernando Nakagawa
No primeiro mês do ano, o índice de atraso nos empréstimos às empresas atingiu 2,4% dos créditos, quase o dobro do registrado em setembro de 2008 - mês em que houve o agravamento da crise, quando o indicador estava em 1,3%. Desde então, os atrasos se avolumaram. Em apenas quatro meses, companhias deixaram de pagar R$ 431,8 milhões aos bancos. Isso fez com que o indicador de atraso atingisse o patamar mais alto desde novembro de 2000, quando estava em 2,5%.
Esse movimento ainda não conseguiu ser registrado pelos indicadores de inadimplência do BC. Isso porque, para O BC, apenas os pagamentos vencidos há mais de 90 dias recebem o título de inadimplente. Atrasos menores não são incluídos nessa categoria. Na semana passada, o BC informou que a inadimplência havia ficado em 2% em janeiro, índice igual ao de janeiro de 2008, embora maior que o 1,8% de dezembro.
O rápido crescimento dos atrasos tem causado preocupação entre especialistas e, principalmente, nos bancos. Isso explica porque os bancos têm elevado o spread - diferença entre a taxa de captação e empréstimos - apenas nas operações para as empresas.
Para a indústria, a restrição no crédito é a principal causa do problema. "Boa parte das empresas precisa de crédito para fechar o mês", diz o diretor do Departamento de Pesquisa Econômica da Fiesp, Paulo Francini. "Quando há problemas, normalmente a empresa deixa de investir. Se a falta de caixa continua, os impostos ficam em segundo plano. Depois, os fornecedores. Só então a dívida bancária deixa de ser paga."
"Os atrasos têm grande chance de se transformarem em inadimplência. A maioria dos bancos já prevê o aumento do calote e tem anunciado provisões extras", diz o professor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Ricardo Almeida. Ele atribui os atrasos a dois problemas..
A primeira é um planejamento equivocado. "As empresas podem ter sido muito otimistas e não esperavam quadro tão negativo. Tinham a expectativa de que os bancos rolariam as dívidas em caso de necessidade, mas os empréstimos têm sido muito difíceis", diz.
A outra causa é a queda da demanda. Nesse caso, as consequências se concentram nas empresas exportadoras, já que o mercado interno não sofreu queda tão rápida. "Os pedidos no exterior caíram rapidamente porque a crise é muito pior nos EUA e Europa", diz. No Brasil, a demanda se retraiu em segmentos específicos, como o de construção civil. "Exportadores e construtoras podem estar com mais dificuldades."
NÚMEROS
25,9 % foi a porcentagem das dívidas em atraso entre 15 e 90 dias em janeiro na comparação com dezembro
149 % foi a porcentagem em relação a janeiro de 2008
R$ 921,8 milhões é quanto os bancos têm a receber apenas de pessoas jurídicas
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